Prisão de PMs reacende crise entre as polícias no Litoral catarinense – Rádio Cidade FM

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Prisão de PMs reacende crise entre as polícias no Litoral catarinense

As polícias Civil e Militar enfrentam uma nova crise no Litoral de Santa Catarina. Protagonistas de uma série de conflitos em ocorrências, as duas corporações agora debatem a prisão de seis policiais militares na manhã de quinta-feira durante ação da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Balneário Camboriú. A alegação da Polícia Civil é que os homens detidos teriam torturado física e psicologicamente um suspeito de assassinato, em 10 de abril deste ano, na cidade. Uma reunião na tarde desta sexta-feira em Florianópolis entre os comandos das duas polícias e o secretário de Segurança Pública (SSP), César Grubba, vai debater o ocorrido.

O grupo de militares presos, integrantes do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT), é investigado pela prática de violência para obter a confissão de um suspeito de homicídio. Segundo a Polícia Civil, os policiais militares abordaram o homem e o levaram até um local ermo, em uma estrada secundária que dá acesso à praia do Estaleiro. Lá, conforme a Polícia Civil, os PMs agrediram o suspeito para que ele confessasse a participação em um homicídio ocorrido no último dia 10 de abril e informasse a localização da arma usada no crime. Leia mais detalhes da acusação da DIC .

Horas após a prisão do grupo e do cumprimento de mandados de busca e apreensão na residências deles e na sede do 12º Batalhão da PM, começaram as reações dos comandos das duas polícias. Através do perfil no Facebook, a delegacia regional de Balneário Camboriú, comandada pelo delegado David Tarcísio Queiroz de Souza, divulgou um texto em que chama a ação dos policiais militares de “criminosa e desastrosa”. Os agentes alegam que já tinham informação sobre o suspeito do crime e a ação dos PMs teria dificultado o trabalho de investigação.

Entre os policiais militares repercutiu negativamente a foto divulgada também no Facebook em que dois policiais civis participantes da operação desta quinta fazem uma selfie em frente ao 12º Batalhão da PM durante o cumprimentos dos mandados. Nesta sexta-feira, o mesmo policial que postou a foto divulgou um texto em que refuta as alegações do militares de que estaria sendo mal intencionado. Segundo ele, a imagem foi postada porque ele e o colega se encontraram depois de algum tempo.

Policiais do PTT, colegas dos servidores que continuam presos, estão arrecadando recursos que serão usados na defesa dos homens detidos. Segundo o texto repassado pelo Whats App, os policiais alvos da operação possuem mais de 40 páginas em elogios por serviços prestados à corporação.

A Associação de Delegados da Polícia Civil de Santa Catarina (Adepol), através de nota, defendeu o trabalhos dos policiais. A entidade defendeu a ação do delegado Osnei de Oliveira, responsável pela DIC: “agiu amparado pela Constituição Federal e cumprindo a legislação penal vigente, face os robustos indícios da prática de crime equiparado a hediondo, bem como para garantia a conveniência da instrução criminal, representou pela prisão preventiva dos seis policiais militares, bem como por mandado de busca e apreensão na residência destes e nos armários que utilizavam no quartel, sendo de pronto analisados e deferidos pelo Poder Judiciário, a quem compete aplicar a Lei”.

O comandante da 3ª Região da PM, coronel Claudio Roberto Koglin, disse em entrevista à RBS TV, que a ação “foi espetaculosa, macula a imagem dos policiais e foi totalmente desnecessária”. Para o delegado Osnei, houve tortura por parte dos militares “visando a confissão de práticas criminosas”.

Segunda crise em três meses

Em fevereiro deste ano as duas polícias tiveram outra crise na mesma região. Desta vez o caso ocorreu em São João Batista. Um tenente da PM foi preso momentos antes de uma coletiva da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) sobre uma operação contra caixeiros.

O oficial foi até a reunião para contestar o trabalho dos policiais civis por entender que eles haviam colocado em risco a vida dos PMs que não teriam avisado sobre a operação. Naquele episódio, a SSP também se reuniu com os comandos para acalmar os ânimos.

Em Balneário Camboriú, onde fica a unidade da PM que atende São João Batista, havia a preocupação de que o caso prejudicasse ainda mais a delicada relação entre policiais civis e militares na região do 12º Batalhão. O clima, apesar de aparentemente tranquilo, nem sempre foi pacífico.

A situação ficou mais tensa a partir de 2013, quando a PM invadiu uma festa de confraternização entre agentes da Polícia Civil e um policial militar atirou contra um investigador. Na época, a PM alegou ter recebido uma denúncia de que havia pessoas armadas na festa. As versões foram conflituosas e causaram mal estar nas duas corporações.

Uma nova saia-justa ocorreu em abril do ano passado, quando a Polícia Militar montou uma operação de busca pelo menino Ícaro Alexandre Pereira, desaparecido desde fevereiro de 2016, e não comunicou a Divisão de Investigações Criminais da Polícia Civil (DIC), responsável por apurar o caso.

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